
João Felpudo.
Heinrich Hoffmam.
Versão brasileira de Guilherme de Almeida. Ilustrações de Dorca.
São Paulo: Melhoramentos, s.d. [Publicado pela Laemmert no final do século XIX, teve 8 edições.
A 1a. edição feita na Melhoramentos é de 1942 e a última, a 5a. edição, é de 1950, atingindo a produção de 36.000 exemplares.]
Fonte:
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/obj_a.php?t=infantil01******************************************
Fonte:
site da Angela LagoHeinrich Hoffmann, médico alemão, escreveu Struwwelpeter em 1844. Não tinha encontrado o presente de Natal adequado para seu filho de três anos. Os desenhos criados por Hoffmann, como os de Bush, contam as histórias. As cenas são dramáticas. Em uma seqüência, o menino que se recusa a tomar sopa, acaba morrendo de magreza e sendo enterrado. Resta saber se Hoffmann consegue cumprir a sua proposta pedagógica e assombrar as crianças com as imagens de mutilação e morte como punição às pequenas diabruras. Ou se os castigos desmesurados acabam virando só humor negro. Struwwelpeter mereceu diversas traduções, inclusive uma de Mark Twain. Mas o texto de Hoffmann, como seu desenho, é tosco. É um livro de amador. Talvez seja justamente isso que lhe dê uma estranha graça.
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A estória do João Felpudo.
Fonte: uma versão de Carlos Cunha,
Usina de Letras.
Era uma vez um menino que vivia sozinho. Seu pai trabalhava durante o dia e mãe ele não tinha. Por isso, Joãozinho vivia sozinho e era uma criança triste e desiludida. Ele não tinha ânimo de tomar banho, de cortar e pentear os cabelos, de cortar as unhas. Vivia descalço e sujo pelas ruas. Amigos ele não tinha porque ninguém suportava ficar perto dele por causa de sua sujeira. Ganhou, por isso, o apelido de João Felpudo. Um dia, ele saiu à procura de alguém para brincar. Como não encontrou ninguém, ele chamou um gatinho que passava:
- Gatinho venha brincar comigo. Eu estou tão sozinho!
O gatinho respondeu:
- Eu não! Veja meu pelo como está brilhando! Você está sujo e mal cheiroso e vai emporcalhá-lo.
Dizendo isso, o gatinho foi-se embora, deixando ali, triste, o Joãozinho.
Nisto, passou correndo um cachorrinho. Joãozinho se animou e gritou:
- Ô cachorrinho, venha brincar comigo.
O cachorrinho já estava longe, mas ainda falou:
- Eu não! Acabei de tomar banho e você vai sujar meu pelinho!
Joãozinho já estava quase chorando e resolveu procurar um amigo em outros lugares. Passando perto de uma lagoa, viu um lindo patinho amarelo que nadava tão feliz! Ele criou alma nova e foi logo dizendo:
- Ô patinho estou sem amigos e quero brincar. Você brinca comigo?
- Eu não, respondeu o patinho. Veja minhas penas. Acabei de lavá-las e elas vão se sujar, se eu brincar com você!
Desolado, Joãozinho voltou para casa. No caminho encontrou com alguns porquinhos que cantavam pela estrada. Quando viram João Felpudo, logo correram para o seu lado, chamando-o para brincar:
- Ô João vamos brincar? Vamos rolar na lama?
Joãozinho começou a correr, chorando:
- Com vocês não! Eu não brinco com porquinhos!
- Por quê? Você é nosso amigo. Você é sujo como nós! Venha!
João Felpudo corria o mais que podia e chegou à sua casa. Ele chorava tão alto que a fada madrinha escutou e veio em seu socorro:
- O que foi João? Por que chora?
Soluçando, João respondeu:
- Ninguém quer brincar comigo. Nem o gatinho, nem o cachorrinho, nem o patinho. Só os porquinhos sujos de lama querem brincar comigo! Com eles eu não quero!
A fada ficou com tanta pena de Joãozinho que se prontificou a ser sua mãe. Deu-lhe banho, cortou-lhe os cabelos e as unhas, vestiu-lhe roupas limpas, calçou-lhe sapatos. E João ficou lindo e cheiroso! Ele saiu para a rua e, então, apareceram os bichinhos para com ele brincar: o gatinho, o cachorrinho e o patinho. E João sorria de felicidade!